domingo, 29 de janeiro de 2012

Férias e muita farra

A família toda se reuniu nesse final de ano.
Como de costume, tudo aqui em casa estava devidamente preparado para receber os dois pecurruchos mais sapecas do pedaço, Álvaro e Heitor, os Almôndegas (apelidos dados pela Rita aos priminhos). Os armários mexíveis, cheios de brinquedos e badulaques, estavam à espera dos dois fuxicões. O problema é que o foco deles era outro : os armários da cozinha, o dos CDs e DVDs e aqueles onde eram guardados os vidros das pingas do vovô.
Lelé e Ritinha logo se enturmaram para atazanar a Ivone e desfilar com minhas roupas e sapatos pela casa. No quarto, saias, blusas, vestidos e calças compridas se amontoavam em cima da cama. Dei uma terrível “bronca de avó”- quero tudo nos seus devidos lugares em quinze minutos, depois da tarefa cumprida, ganharão um sorvete – eu disse e, é claro, cumpri a promessa. Mais tarde, já estavam à mesa para algumas rodadas de pif paf com o vovô Luiz Octávio.
Na véspera de natal ficamos aqui em casa, menos Bernardo, Sonaly e Ritinha que, como fazem todos os anos, foram passar a noite com a família da Sonaly. Eu tive a infeliz idéia de preparar uma receita que havia aprendido na véspera com uma companheira de caminhada, o “escondidinho de carne de sol.” A ceia teria sido um fracasso, não fossem as habilidades culinárias da dupla Otávio/Gisele que não só consertou os meus estragos mas assumiu o comando da cozinha. A mim restou, como sempre, a lavação da louça.
No dia seguinte, Bernardo, Sonaly e Ritinha chegaram ao meio dia, horário previamente combinado para a entrega dos presentes. Foi uma verdadeira farra. No final um amontoado de sacolas, caixas e papéis, mas todos nós ficamos felizes com a troca de presentes.
Nesse mesmo dia, aconteceu o tradicional almoço de natal, a feijoada especial, preparada no capricho pelo chef Luiz Octávio. A casa estava cheia, apesar de um bom número de convidados não ter podido comparecer. Estiveram presentes ao almoço: Bernardo, Sonaly, Ritinha, Fred, Elaine, Letícia, Álvaro, Otávio, Gisele, Heitor, Márcio, Tuquinha, Glauco, Aninha, Marcinho, Dani, Tio João, mamãe, Regina, Catarina, Samuel, Maria, Ivone, Lia, as gêmeas Grace Kelly e Grace Anne, Guilherme, Camila, Maria, Sálvio Luiz, Adriana, Gabriela, Rafaela, Vítor, Luiz Fernando, Rodrigo, Anita e Letícia, Carolina, Thiago, Nathália , Mateus e André (padrinho da Lelé).
A festa transcorreu em clima de grande alegria e descontração.
Fiz a leitura de um texto, preparado por mim, em que expresso a nossa felicidade, minha e do Luiz Octávio, em poder compartilhar com pessoas tão queridas esse tradicional almoço de natal. Também reproduzi as palavras do poeta Carlos Drummond de Andrade em sua “Mensagem de Ano Novo.”
As crianças se divertiram todo o tempo, as maiores chegaram até a fazer guerra de bolas e não paravam de comer bombons e alfajores. Os pequeninos espalhavam brinquedos por todos os lugares, andavam de um lado para outro procurando sempre um canto para fuxicar. O esganado do Heitorzinho não podia ver passar um prato de feijoada que ele avançava sobre a comida como se fosse um flageladinho remanescente da seca. Isso sem contar que ele já tinha almoçado fazia algum tempo. Preparei para ele um pratinho de feijoada e ele repetiu três vezes, até a Gisele mandar parar com toda aquela comilança que poderia acabar fazendo-lhe mal. Já o enfastiado, Alvinho, nem sequer olhava para o prato de comida; havia dias que fazia greve de fome. A Elaine não sabia mais o que fazer para estimular-lhe o apetite. O pouco que comia era escondido do primo que, por qualquer descuido, tomava-lhe a guloseima.
O jogo de truco rolou solto, havendo rodízio entre os parceiros, ou melhor, entre os larápios : Luiz Octávio, Bernardo, Rodrigo, Guilherme, Fred e Otávio. Roubaram tanto que se esqueceram de devolver as cartas surrupiadas; conclusão : o baralho não presta mais.
Nos dias seguintes, os “Almôndegas” se divertiram, bagunçaram, brincaram e brigaram a valer, pena que tiveram que ficar enfurnados em casa, pois a chuva não deu trégua. Assim o parque de diversões era aqui mesmo, nos armários, debaixo da mesa de jantar, nas mesas de cabeceira, porta CDs e DVDs e em tudo o mais onde pudessem fuçar à vontade
O Heitorzinho não sossegava sequer por um minuto, a não ser quando estava dormindo ou comendo. Abria as gavetas, tirava tudo para fora e se metia dentro delas e também dentro dos armários da sala de televisão. Já o Alvinho tinha como divertimento principal abrir o esguicho do bidê e deixar o banheiro todo alagado. O tempo todo andava pela casa, de carrinhos em punho atrás do “ bô “. Luiz Octávio entrava no quarto e lá ia ele bater as mãozinhas na porta chamando “bobô, bobô.”
Felizmente, dessa vez, a casa esvaziou-se aos poucos. Fred foi o primeiro a ir-se embora, pois suas férias haviam terminado; Gisele retornou no dia 02/01, pois teria que retomar o trabalho, Otávio e Heitorzinho partiram dia 06 ( aniversário da Ritinha). Elaine, Lelé e Alvinho retornaram a Maceió no dia 17. Isso sem contar que Bernardo, Sonaly e Ritinha foram de férias para o Ceará no dia 13/01.
No início, Luiz Octávio e eu estranhamos muito a casa vazia e terrivelmente silenciosa, mas aos poucos nos acostumamos. Permaneceram a saudade e as lembranças dos momentos felizes que pudemos compartilhar com nossos filhos, noras e netos.

PS. Enquanto escrevia esse texto, Ritinha, ao meu lado, me atormentava todo o tempo, querendo meter o bedelho nos meus escritos; eu bem que concordei com alguns de seus pitacos, coisa de avó.

2 comentários:

  1. Pelo que você relatou, foi uma bela festa! E percebo que se tornou uma avó dedicada e apaixonada, parabéns! Estamos com saudades. Ainda não somos avós, quem sabe um dia não é?
    bjs e até o próximo...

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  2. Ai que saudade da bagunça. Fico emocionada com cada capítulo deste "Final de ano do balacubaco". Se vc tiver a coragem de falar que o Alvinho não é o clone do Fred, te mostro a foto dele. E por sinal até na greve de fome resolveu puxar o pai, coitada da Elaine...Tia a felicidade que você nos passa de "ser avó" é algo delicioso e confesso sentir até uma ponta de inveja, mas cada um tem a familia que deveria ter. Lindos os meninos, imagino que o bobô fica retardado também, que engraçado...O tempo passou gente, agora os pais somos nós e a responsabilidade é toda nossa. Fico aqui imaginando o Fred de pai, o Otávio com aquele olhão do dia que nasceu de pai!!! Nossa, é inacreditável, mas crescemos e hoje os pais somos nós. Ai Tia vc é o máximo. Te amo. Bela

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