É assim, procuro pelas chaves do carro e não as encontro; nunca me lembro do lugar onde deixei meus óculos. Isso não é todo dia não, são várias vezes por dia. O papelzinho, onde anotei o telefone do bombeiro, sumiu sem deixar rastro. Nessas alturas, não duvido nada se tiver emboladinho dentro da lata de lixo.
Outro dia ganhei de uma amiga uma linda história que eu queria preparar para contar. O texto simplesmente evaporou como que por encanto. Perdi um tempo enorme a procurá-lo mas, felizmente o encontrei dentro de uma das divisões de minha bolsa.
É difícil eu ir à casa de minha mãe sem esquecer alguma coisa por lá. Por isso, sempre quando estou preparando-me para ir embora, minha mãe, uma senhora de 90 anos, me diz:" antes de sair, corra os olhos pela casa prá ver se não está se esquecendo de nada."
Dias atrás, em conversa com uma amiga, esforcei para lembrar-me de um ótimo filme que havia visto no cinema, mas nada; o título do filme e o nome do ator principal apagaram-se de minha mente.
Realmente, a memória nos prega peças incríveis, vai ratiando, ratiando à medida que a idade avança. Mas, eu não me preocupo não, às vezes penso também que só nos lembramos daquilo que realmente nos interessa. É a tal da memória seletiva.
Certa vez, no aeroporto de Brasília, vi uma pessoa com um rosto que me pareceu bem familiar. Cumprimentei-a com um sorriso, só mesmo por educação, pois por mais que eu me esforçasse, não conseguia lembrar-me de onde eu a conhecia; também morei e trabalhei em três estados diferentes e em diversas instituições de ensino. Mais tarde, já em minha casa, tomando uma xícara de chá quente enquanto remexia em minhas memórias, lembrei-me de tudo. Era ela mesma, aquela colega de trabalho que no passado fazia macumba e despachos para ocupar o meu cargo. A vida nos distanciou e a gente nunca mais se viu até
aquele dia. Mas, sabem de uma coisa? Fiquei aliviada por não tê-la reconhecido naquele momento. Também percebi que a tal da memória fraca, em alguns casos, é sabedoria mesmo. Esquecer ressentimentos é coisa de gente grande, de bem com a vida e com as pessoas de seu convívio.
À medida queo tempo passa, a nossa memória vai ficando cada vez mais seletiva. Lembranças só mesmo daquilo e daqueles que nos fazem bem, iluminam nosso espírito e nos trazem felicidade; o resto pouco importa, por isso cai no esquecimento.
Adorei este conto, quero mais...
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