quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Realismo Fantástico I Livro de Imagens

Era uma vez um menino. Ele não tinha nome, era simplesmente o" moleque" de uma pequena família de três pessoas : o pai, o irmão mais velho e ele. Não sabia ler nem tampouco escrever.
Um dia, ganhou de um palhaço de circo um livro de imagens. Então, atribuindo um significado àquele conjunto de representações,  construiu sua própria história, se deu um nome e por consequência adquiriu uma identidade.
Transformara-se; era agora um ser pensante, sensível, capaz de ter e de inpirara dor e amor, de despertar emoções. Nunca na vida tivera sonhos, nem mesmo sabia o que era isso,  mas o livro fez aflorar sua  sensibilidade,  levando-o a sonhar.
Assim o "moleque" adquiriu vida através daquelas palavras inexistentes, saídas de sua própria imaginação.


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Reflexões II Minha casa,

Meu mundo de concreto, pedras, lajotas, madeiras e vidros nada tem de frio e impessoal. Ao contrário, irradia vida, pois em seu aconchego acolhe a minha família. Assim é a nossa casa, espaçosa e colorida; tem personalidade própria. Fica em um bairro pequeno, pacato e pouco conhecido, na cidade de Belo Horizonte.
Possui um pequeno jardim na frente, churrasqueira e fogão de lenha no quintal. É aí, neste cantinho de gosto, de cheiro e de afeto que a família se reúne e recebe os amigos, nos momentos festivos, e os  contadores de histórias para os saraus improvisados, mas sempre criativos e descontraídos.
Minha casa reflete facetas interessantes da minha família. É simples e despojada como meus filhos, afetuosa como minhas noras, alegre e divertida como meus netos. Cada detalhe do projeto arquietônico e da decoração foi a realização de um sonho. Tudo nela tem a nossa marca pessoal. Meu marido a projetou e pessoalmente acompanhou a execução do projeto. Com capricho, arte e criatividade construiu os móveis, imprimindo neles nosso gosto e estilo.
Minha casa se parece comigo; é alegre e hospitaleira e acolhe as pessoas com calor e afeto.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Reflexões : I A memória nos prega cada peça...

É assim, procuro pelas chaves do carro e não as encontro; nunca me lembro do lugar onde deixei meus óculos. Isso não é todo dia não, são várias vezes por dia. O papelzinho, onde anotei o telefone do bombeiro, sumiu sem deixar rastro. Nessas alturas, não duvido nada se tiver emboladinho dentro da lata de lixo.
Outro dia ganhei  de uma amiga  uma linda história que eu queria preparar para contar. O texto simplesmente evaporou como que por encanto. Perdi um tempo enorme a procurá-lo mas, felizmente o encontrei dentro de uma das divisões de minha bolsa.
É difícil eu ir à casa de minha mãe sem esquecer alguma coisa por lá. Por isso, sempre quando estou preparando-me para ir embora, minha mãe, uma senhora de 90 anos, me diz:" antes de sair, corra os olhos pela casa prá ver se  não está se esquecendo de nada."
Dias atrás, em conversa com uma amiga, esforcei para lembrar-me de um ótimo filme que havia visto no cinema, mas nada; o título do filme e o nome do ator principal apagaram-se de minha mente.
Realmente, a memória nos prega peças incríveis, vai ratiando, ratiando à medida que a idade avança. Mas,  eu não me preocupo não, às vezes penso também que só nos lembramos daquilo que realmente nos interessa. É a tal da memória seletiva.
Certa vez, no aeroporto de Brasília, vi uma pessoa com um rosto que me pareceu bem familiar. Cumprimentei-a com um sorriso, só mesmo por educação, pois por mais que eu me esforçasse, não conseguia lembrar-me de onde eu a conhecia; também morei e trabalhei em três estados diferentes e em diversas instituições de ensino. Mais tarde, já em minha casa, tomando uma xícara de chá quente enquanto remexia em minhas memórias, lembrei-me de tudo. Era ela mesma, aquela colega de trabalho que no passado fazia macumba e despachos para ocupar o meu cargo. A vida nos distanciou e a gente nunca mais se viu até
 aquele dia. Mas, sabem de uma coisa? Fiquei aliviada por não tê-la reconhecido naquele momento. Também percebi que a tal da memória fraca, em alguns casos, é sabedoria mesmo. Esquecer ressentimentos é coisa de gente grande, de bem com a vida e com as pessoas de seu convívio.
À medida queo tempo  passa, a nossa memória vai ficando cada vez mais seletiva. Lembranças só mesmo daquilo e daqueles que nos fazem bem, iluminam nosso espírito e nos trazem felicidade; o resto pouco importa, por isso cai no esquecimento.





terça-feira, 9 de agosto de 2011

MICROCONTOS: IV - Circunstâncias

Ele era um estranho naquele sítio no meio do nada, mas foi recebido com afeto pela família que abrigou-o naquele momento de dificuldade. Em retribuição, tirou fotos da casa, do casal e dos filhos, Marcelo e Camila.
Num dia chuvoso, Marcelo se foi, atropelado por uma caminhonete quando voltava da escola. Restaram como lembrança as fotos tiradas pelo estranho.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

MICROCONTOS: III - O Vento

Caminhava faceira pela rua quando uma forte ventania levantou sua saia rodada. Toda envergonhada, olhou para os lados e não viu ninguém. Ficou aliviada, mas por pouco tempo. Um senhor de idade vinha em sentido oposto e, ao cruzar com ela, disse sorrindo: ventinho danado, heim?

MICROCONTOS; II - Determinação

Desde os sete anos de idade, ela dormia com o santinho de primeira comunhão dele embaixo do travesseiro.Ele tinha então doze anos. Apesar de brigarem feito cão e gato, ela tomou a decisão: iria casar-se com ele. Quinze anos depois, casaram-se.
Menininha determinada.

MICROCONTOS: I - Ceição

Sua vida era dedicar-se à vida daquelas tres meninas que ela vira nascer. Gostava do que elas gostavam, seus sonhos eram a realização dos sonhos delas, seus dramas, os dramas vividos por elas.
Assim viveu Ceição, uma vida vivida em tres outras vidas.