Hoje estou muito feliz, porque depois de muita preparação, trabalho e ansiedade, enfim, Lourdinha Romanelli e eu apresentamos "Zumbi e outras histórias do Brasil e África", no Centro cultural Padre Eustáquio.
O evento foi uma comemoração ao dia da consciência negra, 20 de novembro, aniversário de morte do líder negro Zumbi dos Palmares.
Havia um público bastante significativo, ainda mais levando-se em conta a manhã chuvosa do sábado, com destaque para alguns amigos, familiares e alunos do projeto Anjo de alfabetização de adultos, levados pela contadora de histórias Beatriz Leão, coordenadora do projeto.
A história de Zumbi foi contada por mim, em três tempos, entremeados pelas ótimas histórias contadas com muita graça pela Lourdinha : Os amantes de Abeba e a Tecelã que cantava. Esta última conta a vida da sambista mineira Clara Nunes e as influências que sofreu da cultura africana, por ocasião de sua viagem à Angola.
O Hélio, bibliotecário do Centro Cultural, com sua boa vontade de sempre, preparou para nós o CD com a sequência que escolhemos para a trilha sonora : algumas músicas africanas, outras tiradas da peça teatral " Arena Conta Zumbi" e Morena de Angola, cantada por Clara Nunes e Chico Buarque de Holanda.
Ao final da apresentação as pessoas presentes cantaram e dançaram ao som de Morena de Angola.
sábado, 26 de novembro de 2011
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
À Sombra do Jatobá
Desde pequeno, Luiz Octávio já era o companheiro de seu pai, Gumercindo, e do meu, Sálvio, em caçadas de perdizes, permitidas na época, e pescarias. Cresceu e se tornou um adulto amante do esporte; nessa época já com um ciclo de amizades que incluía os gêmeos, Márcio e Moacir e Paulo Helênio, nossos futuros compadres.
Depois de casados, nos tornamos sócios do Clube dos Piraquaras, destinado a pescadores, fundado por meu pai, juntamente com um grupo de amigos e o meu tio João Furtado, em Três Marias, às margens do Rio São Francisco.
Mas, por força da distância, uma vez que nos mudamos para o Estado do Pará, vendemos a cota do Clube.
Lá no norte, pescaria mesmo, só por umas poucas horas, no domingo, pois o ritmo de trabalho nas muitas obras da Construtora Mendes Júnior era estafante e mesmo assim , nos finais de semana que não viajava para estar com a família, ora Castanhal(PA), ora São Luís(MA).
De volta a Belo Horizonte, alguns anos depois, o gosto pelas pescarias se renovou. Foi quando Luiz Octávio e dois de seus amigos, Tião e Wady, tiveram uma brilhante idéia : iriam pescar ali mesmo, bem pertinho, às margens dos rios Roosevelt, Guaporé, Teles Pires, e Aripuanã, todos na Amazônia, afluentes dos rios Tocantins e Tapajós. Nada de mais, só ficavam a uma "pequena" distância de três ou quatro dias de viagem, de ida, fora os outros tantos da volta. O certo é que as tais pescarias "bem ali" duraram uns bons anos e alguns desgastes nas já idosas caminhonetes do Luiz Octávio e do Wady.
Dos meus três filhos, o Otávio foi o único que pôde acompanhar o pai em uma dessas loucas pescarias. Até mais que o pai, se isso é possível, sempre gostou de se aventurar pelos rios( sobretudo o São Francisco), pelo cerrado e matas outras, tanto por lazer quanto por força dos estudos, pois seu curso de geologia exigia dele frequentes trabalhos no campo.
Assim foi, até que os três amigos decidiram abandonar as tais pescarias, pois o sacrifício para realizá-las tornara-se maior que o prazer da aventura. Mas naquele momento um grande problema se impôs : a partir de então, onde iriam pescar?
Aí, um fato novo veio injetar ânimo naqueles inveterados pescadores. Meu sobrinho, André, havia comprado uma fazenda em Contria. Nas terras da Fazenda da Garça, havia um local, um tanto nostálgico, às margens do Rio das Velhas, chamado "Pedra Lisa", onde em tempos remotos, Luiz Octávio havia pescado com seu pai e o amigo João Libório, ambos falecidos. Foi então que , aproveitando a sugestão do cunhado Oscarzinho, teve a feliz idéia de construir, naquele mesmo local, um empreendimento e assim nasceu o "Rancho Sálvio Nunes", à sombra de um frondoso jatobá; uma verdadeira parceria entre amigos pescadores. Inicialmente entre Luiz Octávio, Tião e Wady, mais tarde contou também com a colaboração dos compadres Márcio e Moacir, para suas posteriores melhorias, como a canalização da água, extensão da energia e aquisição de um novo motor de popa.
Mais narrativas virão, contando novas e futuras aventuras e o próximo festejo de inauguração da energia elétrica .
Assim, à sombra do Jatobá, surgiu um recanto mágico, lugar onde amigos, filhos, sobrinhos, netos e compadres se encontram para desfrutar de uma natureza pródiga, de um companheirismo solidário e da alegria de um feliz convívio que a todos os frequentadores encanta.
Depois de casados, nos tornamos sócios do Clube dos Piraquaras, destinado a pescadores, fundado por meu pai, juntamente com um grupo de amigos e o meu tio João Furtado, em Três Marias, às margens do Rio São Francisco.
Mas, por força da distância, uma vez que nos mudamos para o Estado do Pará, vendemos a cota do Clube.
Lá no norte, pescaria mesmo, só por umas poucas horas, no domingo, pois o ritmo de trabalho nas muitas obras da Construtora Mendes Júnior era estafante e mesmo assim , nos finais de semana que não viajava para estar com a família, ora Castanhal(PA), ora São Luís(MA).
De volta a Belo Horizonte, alguns anos depois, o gosto pelas pescarias se renovou. Foi quando Luiz Octávio e dois de seus amigos, Tião e Wady, tiveram uma brilhante idéia : iriam pescar ali mesmo, bem pertinho, às margens dos rios Roosevelt, Guaporé, Teles Pires, e Aripuanã, todos na Amazônia, afluentes dos rios Tocantins e Tapajós. Nada de mais, só ficavam a uma "pequena" distância de três ou quatro dias de viagem, de ida, fora os outros tantos da volta. O certo é que as tais pescarias "bem ali" duraram uns bons anos e alguns desgastes nas já idosas caminhonetes do Luiz Octávio e do Wady.
Dos meus três filhos, o Otávio foi o único que pôde acompanhar o pai em uma dessas loucas pescarias. Até mais que o pai, se isso é possível, sempre gostou de se aventurar pelos rios( sobretudo o São Francisco), pelo cerrado e matas outras, tanto por lazer quanto por força dos estudos, pois seu curso de geologia exigia dele frequentes trabalhos no campo.
Assim foi, até que os três amigos decidiram abandonar as tais pescarias, pois o sacrifício para realizá-las tornara-se maior que o prazer da aventura. Mas naquele momento um grande problema se impôs : a partir de então, onde iriam pescar?
Aí, um fato novo veio injetar ânimo naqueles inveterados pescadores. Meu sobrinho, André, havia comprado uma fazenda em Contria. Nas terras da Fazenda da Garça, havia um local, um tanto nostálgico, às margens do Rio das Velhas, chamado "Pedra Lisa", onde em tempos remotos, Luiz Octávio havia pescado com seu pai e o amigo João Libório, ambos falecidos. Foi então que , aproveitando a sugestão do cunhado Oscarzinho, teve a feliz idéia de construir, naquele mesmo local, um empreendimento e assim nasceu o "Rancho Sálvio Nunes", à sombra de um frondoso jatobá; uma verdadeira parceria entre amigos pescadores. Inicialmente entre Luiz Octávio, Tião e Wady, mais tarde contou também com a colaboração dos compadres Márcio e Moacir, para suas posteriores melhorias, como a canalização da água, extensão da energia e aquisição de um novo motor de popa.
Mais narrativas virão, contando novas e futuras aventuras e o próximo festejo de inauguração da energia elétrica .
Assim, à sombra do Jatobá, surgiu um recanto mágico, lugar onde amigos, filhos, sobrinhos, netos e compadres se encontram para desfrutar de uma natureza pródiga, de um companheirismo solidário e da alegria de um feliz convívio que a todos os frequentadores encanta.
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Festa de Arromba - fotos
Ainda sobre a "Festa de Arromba", quero postar algumas fotos que vão ilustrar um pouco o que já foi narrado por mim sobre o evento, do sábado, na comemoração do aniversário do Heitrzinho.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Notícias do Cotidiano II Uma Festinha de Arromba
Tudo aqui em casa estava preparado para o agitado final de semana que se aproximava. Luiz Octávio e eu esperávamos ansiosos e felizes pela chegada dos meninos, os grandes e os picurruchos. Como é de praxe, com visitas bisbilhoteiras como as que eu iria receber, esvaziei os móveis e os enchi de brinquedos e bugigangas. O aniversário de um ano do Heitorzinho seria comemorado no sábado.
Na quinta feira à tarde, chegaram o padrinho Fred e o priminho Álvaro. Aí, é claro, a animação começou: os armários e móveis revirados, biscoitos espalhados pelo chão.. Nunca vi gostar tanto assim de carrinhos, estava sempre segurando um ou dois numa mesma mão, para deixar a outra livre para fuxicar em tudo que encontrava pela frente. E quando se sentia contrariado saía pela casa gritando - paiê, paiê, paiê... Comer comida, nem pensar, mas deu o que tinha no queijinho assado; não nega o seu lado mineirinho.
Na sexta à tardinha, chegaram Otávio, Gisele e Heitorzinho, o serelepe aniversariante.
Esperávamos curiosos pela reação dos dois priminhos em seu primeiro encontro. Foi muito engraçado; se olharam, se tocaram e foram juntos remexer nos armários, sobretudo naquele não acessível, o da cozinha. Foram direto para as latas de mantimentos, doidos para misturar coisas, café, arroz, feijão e açúcar.
Naquela noite, Heitorzinho, o comilão, não quis saber de jantar, mas, junto com o priminho Alvinho, se esbaldou na lata de biscoito de polvilho. Dormir, só bem mais tarde, depois de exauridas todas as energias, as deles e as nossas.
No sábado a agitação começou cedo, mas tudo correu dentro do previsto, isto é, da esperada bagunça; brinquedos espalhados pelo chão por toda a casa e a alegria e animação dos dois pecurruchos com o DVD da "Galinha Pintadinha" e o CD do "Balão Mágico".
Luiz Octávio saiu cedo com o Fred para comprar a cerveja; depois foram até a carpintaria fazer uma porteirinha para que Heitozinho não tivesse acesso à cozinha de sua casa , pois ele andava aprontando todas lá, inclusive bisbilhotando o fogão. Imaginem só o perigo!
Pela tarde a empresa de festas veio montar o cenário "Safari" e os enfeites de balões. O quintal ficou lindo, cheio de balões e animais da fauna africana:, elefante, leão, zebra, girafa e macaco. Sobre a mesa, à frente de um enorme painel representando a selva, foi colocada uma toalha verde com babados alaranjados, formando uma todo combinado de variadas cores.
Bernardo, Sonaly e Ritinha vieram almoçar. Foi ótimo, pena que a família não estava completa, pois Elaine e Letícia não puderam vir de Maceió devido às aulas. A falta delas foi sentida por todos nós..
À tarde chegaram os salgados, docinhos e o bolo de nozes.
Por incrível que pareça, tia Regina, vovó Dyla e Samuel foram os primeiros a chegar; logo depois, Catarina, trazendo seus sobrinhos e suas pupilas gêmeas. Vieram também nossos sobrinhos Guilherme, Carolina, Cristina e Sálvio com as respectivas famílias. Vovô Oscar trouxe o Arthur, pois os pais, André e Najla estavam viajando. Também estiveram presentes Renarto e Alessandra com o pequenino Fred de três meses e o André, padrinho da Letícia.
Ritinha logo se enturmou com as gêmeas Graceanne e Grace Kelly e as primas Gabriela, Nathália e Maria, o Arthur sempre correndo atrás na tentativa de acompanhá-las. Heitorzinho se divertia a valer, rindo de tudo e para todos, passeando por quase todos os colos. Alvinho não parava de subir e descer a escada do quintal.
Foram tiradas diversas fotos e feitos algumas pequenas filmagens, quase todas focadas no pequeno aniversariante. A festa foi animada, com bons e descontraídos papos; tudo isso regado a muita algazarra e corre corre das crianças.
Terminado o divertido e movimentado final de semana, na casa vazia, restaram a mim e ao Luiz Octávio a saudade e a esperança de preenchê-la novamente para as festas de final de ano.
Na quinta feira à tarde, chegaram o padrinho Fred e o priminho Álvaro. Aí, é claro, a animação começou: os armários e móveis revirados, biscoitos espalhados pelo chão.. Nunca vi gostar tanto assim de carrinhos, estava sempre segurando um ou dois numa mesma mão, para deixar a outra livre para fuxicar em tudo que encontrava pela frente. E quando se sentia contrariado saía pela casa gritando - paiê, paiê, paiê... Comer comida, nem pensar, mas deu o que tinha no queijinho assado; não nega o seu lado mineirinho.
Na sexta à tardinha, chegaram Otávio, Gisele e Heitorzinho, o serelepe aniversariante.
Esperávamos curiosos pela reação dos dois priminhos em seu primeiro encontro. Foi muito engraçado; se olharam, se tocaram e foram juntos remexer nos armários, sobretudo naquele não acessível, o da cozinha. Foram direto para as latas de mantimentos, doidos para misturar coisas, café, arroz, feijão e açúcar.
Naquela noite, Heitorzinho, o comilão, não quis saber de jantar, mas, junto com o priminho Alvinho, se esbaldou na lata de biscoito de polvilho. Dormir, só bem mais tarde, depois de exauridas todas as energias, as deles e as nossas.
No sábado a agitação começou cedo, mas tudo correu dentro do previsto, isto é, da esperada bagunça; brinquedos espalhados pelo chão por toda a casa e a alegria e animação dos dois pecurruchos com o DVD da "Galinha Pintadinha" e o CD do "Balão Mágico".
Luiz Octávio saiu cedo com o Fred para comprar a cerveja; depois foram até a carpintaria fazer uma porteirinha para que Heitozinho não tivesse acesso à cozinha de sua casa , pois ele andava aprontando todas lá, inclusive bisbilhotando o fogão. Imaginem só o perigo!
Pela tarde a empresa de festas veio montar o cenário "Safari" e os enfeites de balões. O quintal ficou lindo, cheio de balões e animais da fauna africana:, elefante, leão, zebra, girafa e macaco. Sobre a mesa, à frente de um enorme painel representando a selva, foi colocada uma toalha verde com babados alaranjados, formando uma todo combinado de variadas cores.
Bernardo, Sonaly e Ritinha vieram almoçar. Foi ótimo, pena que a família não estava completa, pois Elaine e Letícia não puderam vir de Maceió devido às aulas. A falta delas foi sentida por todos nós..
À tarde chegaram os salgados, docinhos e o bolo de nozes.
Por incrível que pareça, tia Regina, vovó Dyla e Samuel foram os primeiros a chegar; logo depois, Catarina, trazendo seus sobrinhos e suas pupilas gêmeas. Vieram também nossos sobrinhos Guilherme, Carolina, Cristina e Sálvio com as respectivas famílias. Vovô Oscar trouxe o Arthur, pois os pais, André e Najla estavam viajando. Também estiveram presentes Renarto e Alessandra com o pequenino Fred de três meses e o André, padrinho da Letícia.
Ritinha logo se enturmou com as gêmeas Graceanne e Grace Kelly e as primas Gabriela, Nathália e Maria, o Arthur sempre correndo atrás na tentativa de acompanhá-las. Heitorzinho se divertia a valer, rindo de tudo e para todos, passeando por quase todos os colos. Alvinho não parava de subir e descer a escada do quintal.
Foram tiradas diversas fotos e feitos algumas pequenas filmagens, quase todas focadas no pequeno aniversariante. A festa foi animada, com bons e descontraídos papos; tudo isso regado a muita algazarra e corre corre das crianças.
Terminado o divertido e movimentado final de semana, na casa vazia, restaram a mim e ao Luiz Octávio a saudade e a esperança de preenchê-la novamente para as festas de final de ano.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Notícias do cotidiano I Um visitante Sapeca
Era a manhã de um sábado ensolarado e quente, apesar de estarmos em Agosto. Luiz Octávio e eu fomos ao aeroporto buscar Otávio, Gisele e Heitorzinho. Vinham para umas curtas férias de duas semanas.
Heitorzinho já surgiu na sala de desembarque com o seu sorriso largo e banguela. Estava a maior gracinha, bem mais desenvolvido agora com 10 meses. Assim que nos viu se jogou em nosso colo, primeiro no do Luiz Octávio e depois no meu. Ufa! Pesadinho heim?
Depois já em casa vi bem o porquê : não para de comer, parece um saquinho sem fundo; não pode ver ninguém mastigando que ele avança, sempre querendo um pedaço de qualquer coisa.
Nossa casa estava preparada para recebê-lo. Esvaziei quase todos os armários ao seu alcance e os enchi de brinquedos diversos e um montão de bugigangas que pudessem interessá-lo. No início foi o maior sucesso; passava tempos fuçando, abrindo as portas e entrando dentro dos armários para remexer em tudo.. Tirava as caixinhas, bolsinhas, cestinhas, esparramando os brinquedos e quinquilharias ali encontradas. Alguém mais desavisado que chegasse pensaria que um furacão havia passado em nossa casa, tal era a bagunça do ambiente. E ele feliz com toda aquela atrapalhação.
Mas, sabem como é, o que é permitido logo perde a graça e a atracão e, no momento seguinte lá estava ele botando a mãozinha onde não podia e não devia. Até apostar corrida com as formigas, engatinhando rápido atrás delas, espichando o dedinho para pegá-las e, para, provavelmente, botar na boca. Bernardo, Sonaly e Ritinha vieram nos finais de semana participar da grande confusão. Também estiveram em casa, mamãe, Regina e Catarina. Todos nós, além da Ivone e Maria nos desdobrávamos para dar conta do Sapeca e, haja disposição.
Em pouco tempo ficou conhecido na vizinhança, pois ao passear pelas ruas do bairro mexia com todas as pessoas que encontrava pelo caminho, encantando-as com sua espontaneidade.
Foram duas semanas maravilhosas que nos deixaram um rastro de saudade : seu cheirinho impregnado no quarto, a marca das suas traquinagens pelos cantos da casa e a lembrança da sua simpatia e radiante alegria que a todos contagiou.
Heitorzinho já surgiu na sala de desembarque com o seu sorriso largo e banguela. Estava a maior gracinha, bem mais desenvolvido agora com 10 meses. Assim que nos viu se jogou em nosso colo, primeiro no do Luiz Octávio e depois no meu. Ufa! Pesadinho heim?
Depois já em casa vi bem o porquê : não para de comer, parece um saquinho sem fundo; não pode ver ninguém mastigando que ele avança, sempre querendo um pedaço de qualquer coisa.
Nossa casa estava preparada para recebê-lo. Esvaziei quase todos os armários ao seu alcance e os enchi de brinquedos diversos e um montão de bugigangas que pudessem interessá-lo. No início foi o maior sucesso; passava tempos fuçando, abrindo as portas e entrando dentro dos armários para remexer em tudo.. Tirava as caixinhas, bolsinhas, cestinhas, esparramando os brinquedos e quinquilharias ali encontradas. Alguém mais desavisado que chegasse pensaria que um furacão havia passado em nossa casa, tal era a bagunça do ambiente. E ele feliz com toda aquela atrapalhação.
Mas, sabem como é, o que é permitido logo perde a graça e a atracão e, no momento seguinte lá estava ele botando a mãozinha onde não podia e não devia. Até apostar corrida com as formigas, engatinhando rápido atrás delas, espichando o dedinho para pegá-las e, para, provavelmente, botar na boca. Bernardo, Sonaly e Ritinha vieram nos finais de semana participar da grande confusão. Também estiveram em casa, mamãe, Regina e Catarina. Todos nós, além da Ivone e Maria nos desdobrávamos para dar conta do Sapeca e, haja disposição.
Em pouco tempo ficou conhecido na vizinhança, pois ao passear pelas ruas do bairro mexia com todas as pessoas que encontrava pelo caminho, encantando-as com sua espontaneidade.
Foram duas semanas maravilhosas que nos deixaram um rastro de saudade : seu cheirinho impregnado no quarto, a marca das suas traquinagens pelos cantos da casa e a lembrança da sua simpatia e radiante alegria que a todos contagiou.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Realismo Fantástico I Livro de Imagens
Era uma vez um menino. Ele não tinha nome, era simplesmente o" moleque" de uma pequena família de três pessoas : o pai, o irmão mais velho e ele. Não sabia ler nem tampouco escrever.
Um dia, ganhou de um palhaço de circo um livro de imagens. Então, atribuindo um significado àquele conjunto de representações, construiu sua própria história, se deu um nome e por consequência adquiriu uma identidade.
Transformara-se; era agora um ser pensante, sensível, capaz de ter e de inpirara dor e amor, de despertar emoções. Nunca na vida tivera sonhos, nem mesmo sabia o que era isso, mas o livro fez aflorar sua sensibilidade, levando-o a sonhar.
Assim o "moleque" adquiriu vida através daquelas palavras inexistentes, saídas de sua própria imaginação.
Um dia, ganhou de um palhaço de circo um livro de imagens. Então, atribuindo um significado àquele conjunto de representações, construiu sua própria história, se deu um nome e por consequência adquiriu uma identidade.
Transformara-se; era agora um ser pensante, sensível, capaz de ter e de inpirara dor e amor, de despertar emoções. Nunca na vida tivera sonhos, nem mesmo sabia o que era isso, mas o livro fez aflorar sua sensibilidade, levando-o a sonhar.
Assim o "moleque" adquiriu vida através daquelas palavras inexistentes, saídas de sua própria imaginação.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Reflexões II Minha casa,
Meu mundo de concreto, pedras, lajotas, madeiras e vidros nada tem de frio e impessoal. Ao contrário, irradia vida, pois em seu aconchego acolhe a minha família. Assim é a nossa casa, espaçosa e colorida; tem personalidade própria. Fica em um bairro pequeno, pacato e pouco conhecido, na cidade de Belo Horizonte.
Possui um pequeno jardim na frente, churrasqueira e fogão de lenha no quintal. É aí, neste cantinho de gosto, de cheiro e de afeto que a família se reúne e recebe os amigos, nos momentos festivos, e os contadores de histórias para os saraus improvisados, mas sempre criativos e descontraídos.
Minha casa reflete facetas interessantes da minha família. É simples e despojada como meus filhos, afetuosa como minhas noras, alegre e divertida como meus netos. Cada detalhe do projeto arquietônico e da decoração foi a realização de um sonho. Tudo nela tem a nossa marca pessoal. Meu marido a projetou e pessoalmente acompanhou a execução do projeto. Com capricho, arte e criatividade construiu os móveis, imprimindo neles nosso gosto e estilo.
Minha casa se parece comigo; é alegre e hospitaleira e acolhe as pessoas com calor e afeto.
Possui um pequeno jardim na frente, churrasqueira e fogão de lenha no quintal. É aí, neste cantinho de gosto, de cheiro e de afeto que a família se reúne e recebe os amigos, nos momentos festivos, e os contadores de histórias para os saraus improvisados, mas sempre criativos e descontraídos.
Minha casa reflete facetas interessantes da minha família. É simples e despojada como meus filhos, afetuosa como minhas noras, alegre e divertida como meus netos. Cada detalhe do projeto arquietônico e da decoração foi a realização de um sonho. Tudo nela tem a nossa marca pessoal. Meu marido a projetou e pessoalmente acompanhou a execução do projeto. Com capricho, arte e criatividade construiu os móveis, imprimindo neles nosso gosto e estilo.
Minha casa se parece comigo; é alegre e hospitaleira e acolhe as pessoas com calor e afeto.
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Reflexões : I A memória nos prega cada peça...
É assim, procuro pelas chaves do carro e não as encontro; nunca me lembro do lugar onde deixei meus óculos. Isso não é todo dia não, são várias vezes por dia. O papelzinho, onde anotei o telefone do bombeiro, sumiu sem deixar rastro. Nessas alturas, não duvido nada se tiver emboladinho dentro da lata de lixo.
Outro dia ganhei de uma amiga uma linda história que eu queria preparar para contar. O texto simplesmente evaporou como que por encanto. Perdi um tempo enorme a procurá-lo mas, felizmente o encontrei dentro de uma das divisões de minha bolsa.
É difícil eu ir à casa de minha mãe sem esquecer alguma coisa por lá. Por isso, sempre quando estou preparando-me para ir embora, minha mãe, uma senhora de 90 anos, me diz:" antes de sair, corra os olhos pela casa prá ver se não está se esquecendo de nada."
Dias atrás, em conversa com uma amiga, esforcei para lembrar-me de um ótimo filme que havia visto no cinema, mas nada; o título do filme e o nome do ator principal apagaram-se de minha mente.
Realmente, a memória nos prega peças incríveis, vai ratiando, ratiando à medida que a idade avança. Mas, eu não me preocupo não, às vezes penso também que só nos lembramos daquilo que realmente nos interessa. É a tal da memória seletiva.
Certa vez, no aeroporto de Brasília, vi uma pessoa com um rosto que me pareceu bem familiar. Cumprimentei-a com um sorriso, só mesmo por educação, pois por mais que eu me esforçasse, não conseguia lembrar-me de onde eu a conhecia; também morei e trabalhei em três estados diferentes e em diversas instituições de ensino. Mais tarde, já em minha casa, tomando uma xícara de chá quente enquanto remexia em minhas memórias, lembrei-me de tudo. Era ela mesma, aquela colega de trabalho que no passado fazia macumba e despachos para ocupar o meu cargo. A vida nos distanciou e a gente nunca mais se viu até
aquele dia. Mas, sabem de uma coisa? Fiquei aliviada por não tê-la reconhecido naquele momento. Também percebi que a tal da memória fraca, em alguns casos, é sabedoria mesmo. Esquecer ressentimentos é coisa de gente grande, de bem com a vida e com as pessoas de seu convívio.
À medida queo tempo passa, a nossa memória vai ficando cada vez mais seletiva. Lembranças só mesmo daquilo e daqueles que nos fazem bem, iluminam nosso espírito e nos trazem felicidade; o resto pouco importa, por isso cai no esquecimento.
Outro dia ganhei de uma amiga uma linda história que eu queria preparar para contar. O texto simplesmente evaporou como que por encanto. Perdi um tempo enorme a procurá-lo mas, felizmente o encontrei dentro de uma das divisões de minha bolsa.
É difícil eu ir à casa de minha mãe sem esquecer alguma coisa por lá. Por isso, sempre quando estou preparando-me para ir embora, minha mãe, uma senhora de 90 anos, me diz:" antes de sair, corra os olhos pela casa prá ver se não está se esquecendo de nada."
Dias atrás, em conversa com uma amiga, esforcei para lembrar-me de um ótimo filme que havia visto no cinema, mas nada; o título do filme e o nome do ator principal apagaram-se de minha mente.
Realmente, a memória nos prega peças incríveis, vai ratiando, ratiando à medida que a idade avança. Mas, eu não me preocupo não, às vezes penso também que só nos lembramos daquilo que realmente nos interessa. É a tal da memória seletiva.
Certa vez, no aeroporto de Brasília, vi uma pessoa com um rosto que me pareceu bem familiar. Cumprimentei-a com um sorriso, só mesmo por educação, pois por mais que eu me esforçasse, não conseguia lembrar-me de onde eu a conhecia; também morei e trabalhei em três estados diferentes e em diversas instituições de ensino. Mais tarde, já em minha casa, tomando uma xícara de chá quente enquanto remexia em minhas memórias, lembrei-me de tudo. Era ela mesma, aquela colega de trabalho que no passado fazia macumba e despachos para ocupar o meu cargo. A vida nos distanciou e a gente nunca mais se viu até
aquele dia. Mas, sabem de uma coisa? Fiquei aliviada por não tê-la reconhecido naquele momento. Também percebi que a tal da memória fraca, em alguns casos, é sabedoria mesmo. Esquecer ressentimentos é coisa de gente grande, de bem com a vida e com as pessoas de seu convívio.
À medida queo tempo passa, a nossa memória vai ficando cada vez mais seletiva. Lembranças só mesmo daquilo e daqueles que nos fazem bem, iluminam nosso espírito e nos trazem felicidade; o resto pouco importa, por isso cai no esquecimento.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
MICROCONTOS: IV - Circunstâncias
Ele era um estranho naquele sítio no meio do nada, mas foi recebido com afeto pela família que abrigou-o naquele momento de dificuldade. Em retribuição, tirou fotos da casa, do casal e dos filhos, Marcelo e Camila.
Num dia chuvoso, Marcelo se foi, atropelado por uma caminhonete quando voltava da escola. Restaram como lembrança as fotos tiradas pelo estranho.
Num dia chuvoso, Marcelo se foi, atropelado por uma caminhonete quando voltava da escola. Restaram como lembrança as fotos tiradas pelo estranho.
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
MICROCONTOS: III - O Vento
Caminhava faceira pela rua quando uma forte ventania levantou sua saia rodada. Toda envergonhada, olhou para os lados e não viu ninguém. Ficou aliviada, mas por pouco tempo. Um senhor de idade vinha em sentido oposto e, ao cruzar com ela, disse sorrindo: ventinho danado, heim?
MICROCONTOS; II - Determinação
Desde os sete anos de idade, ela dormia com o santinho de primeira comunhão dele embaixo do travesseiro.Ele tinha então doze anos. Apesar de brigarem feito cão e gato, ela tomou a decisão: iria casar-se com ele. Quinze anos depois, casaram-se.
Menininha determinada.
Menininha determinada.
MICROCONTOS: I - Ceição
Sua vida era dedicar-se à vida daquelas tres meninas que ela vira nascer. Gostava do que elas gostavam, seus sonhos eram a realização dos sonhos delas, seus dramas, os dramas vividos por elas.
Assim viveu Ceição, uma vida vivida em tres outras vidas.
Assim viveu Ceição, uma vida vivida em tres outras vidas.
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